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. Cintia Amazonas é turismóloga, colunista do VH em busca de uma oportunidade profissional. Para entrar em contato com o autor utilize o e-mail: cintia.amazonas@gmail.com

Data da Inclusão: 07/12/2008

Por amor me deixei absorver pela cultura inglesa. Inglês não é “frio”não. Isto é lenda urbana.
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Cintia Amazonas
Tema da reportagem: Encontrei o Meu Amor

Desde que comecei a minha faculdade de turismo em todas as viagens que fiz desde então, passei a preferir um tipo diferente de turismo, no qual o turista vive um pouco da vida do habitante local, levando consigo não só a experiência de conhecer um novo destino, mas também a oportunidade de descortinar e absorver sua cultura.

No mês de outubro deste ano, fiz a minha terceira viagem internacional, desta vez para a Inglaterra, mas com uma abordagem diferente das anteriores. Esta vez, por eu não ter comprado um pacote turístico, colaborou para eu definitivamente afirmar a teoria de que conhecemos melhor um destino vivendo como um autóctone. O motivo de minha viagem foi me reencontrar com o responsável por um arrebatador affair, que confesso me abalou geral, mas a história, por ser longa, não vem ao caso. Mas vale dizer que começou no Rio de Janeiro, durante uma excursão da Faculdade com fins acadêmicos, isto em 2007. O nome dele é Iam, e para minha surpresa, na ocasião, quando concluímos o trabalho de exploração cultural na capital carioca, voltei a São Paulo, onde vivo, e logo em seguida ele também veio. Não acreditei, mas, enfim, mostrei a este adorável inglês, que se diz “carioca da gema”e é DJ nas horas vagas, que a minha terra da Garoa, também tem muita coisa “bacana” para ser vivenciada, experimentada e assimilada.

Os detalhes do que se passou, nem a parte cultural, nem a romântica, não fazem parte desta pauta, pois aqui quero compartilhar com vocês, leitores do VH, as impressões que tive durante a minha estada na Inglaterra. Minha primeira impressão do país não foi das melhores, pois fiquei retida por mais de uma hora na imigração, junto a três rapazes, de origem que desconheço. Não sei o motivo pelo qual eles foram parados, mas posso dizer que eu estava muito nervosa, não por ser questionada pelo fiscal, mas pela expectativa com relação ao que me aguardava na viagem em si. Quando me dei conta que podia ser mandada de volta, dei um jeito de me impor e mostrar que não tinha motivo nenhum para ser questionada tantas vezes. E me liberaram.

E assim transpostos esses pequenos, porém nervosos incidentes, finalmente me vi do outro lado, em Londres, e confesso de imediato me surpreendi com a receptividade e amabilidade das pessoas, pois esperava tratamento frio e extremamente cortes. Porém são espontâneos, extrovertidos e falam muito. Fui muito bem acolhida pela família e amigos do Iam, o affair. E mesmo em locais onde não havia vínculos de contatos anteriores, como em lojas, comércio em geral etc, ou seja, pessoas que eu jamais havia visto e que talvez não veja nunca mais, tive uma impressão completamente diferente daquela já rotulada que propaga a suposta “frieza” dos ingleses.

O país é belíssimo. A arquitetura antiga ainda é preservada. Pude ter o privilégio de ver casas em perfeito estado datadas de 600 anos atrás. Em todo o país predominam construções ao estilo Tudor, a Georgian,Victorian, e as construções atuais, que incluem os apartamentos, as casas geminadas e os famosos bungalows. Algo que deve ser observado, testemunhado e preferencialmente ser uma referência, é que as pessoas se preocupam muito em manter a característica original das construções antigas bem como conserva-las, por isso muitas das casas e monumentos que vi, me pareceram construções novas, quando na verdade eram senão o resultado de um excelente trabalho e conscientização de conservação. Um bom exemplo disso é a Tower of London, que começou a ser construída em 1080 e hoje ainda está em perfeito estado.

A história que a Inglaterra respira cultura realmente é verdade. Existem inúmeras peças de teatro e musicais em cartaz ao mesmo tempo, várias galerias de arte por todo o país e principalmente em Londres. Considerando que minha viagem não ficou focada somente aos pontos turísticos, não pude ver tudo, mas não deixei de ver, e me emocionar, com o grande acervo de obras de arte que eles possuem de todos os grandes pintores, de diferentes escolas de arte, já que parte extremamente significativa das grandes obras do mundo estão em Londres.

Para quem gosta de compras não sairá desapontado da Inglaterra, mesmo com o preço alto da Libra. Grifes famosas, cosméticos e artigos eletrônicos são produtos que vale a pena comprar, pois é muito mais barato. Para quem não quer gastar muito, existem lojas como a H&M e a Primark que vendem roupas e acessórios de boa qualidade por um preço honesto, que cabe em todos os bolsos. As compras mereceriam um capítulo à parte, pois ninguém “merece” ver tanta coisa maravilhosa. Eu literalmente queria trazer Londres comigo, inteirinha, sem nada me escapar.

Ah, a culinária. Quem vai à Inglaterra não pode deixar de experimentar o famoso Fish and Chips, maravilhoso, em todos os lugares que o servem você consegue comer um bom peixe. O English Breakfast também não pode ficar de fora, mas aconselho come-lo como almoço, pois é muito grande e pesado. A carne por lá não é muito boa, a maioria é importada e não apresenta a boa qualidade, conforme estamos acostumados com nossos “bifes e churrascos”, made in Brazil. Eu dispenso o Kebab, espécie de churrasco grego mais requintado. Um horror.

<b>Em Market Harborough encontrei bucolismo, os Pubs e o Iam.</b>

A cidade onde fiquei se chama Market Harborough, fica no condado de Leicestershire nas middlelands. Uma cidade com um pouco mais de 20 mil habitantes, bem calma e charmosa, a exemplo das demais localizadas nas redondezas. As pessoas que vivem nestas pequenas cidades geralmente costumam fazer compras em centros urbanos maiores, ou procurar alguma loja diferente que não tenha em sua cidade, assim como acontece nos municípios do interior do Brasil. Os pubs, que são um cartão postal do país, fazem parte da vida dos ingleses. Eles funcionam o dia inteiro e são freqüentados por pessoas de todas as idades. Geralmente durante o dia e no começo da noite as pessoas vão para comer ou tomar uma cerveja e mais para o fim da noite já vira um ponto de encontro de amigos para tomar uma cerveja Ale, produzida nas cervejarias locais, especialmente para serem vendidas nos pubs.

A vida no interior da Inglaterra é muito boa, Market Harborough é muito pacata, mas ao mesmo tempo é desenvolvida. Há uma estação de trem expresso, rodovias em perfeito estado com ligação a todo o país e um bom comércio. Por todas as cidades que passei vi apenas uma pessoa “meio que largado na rua”, que não tive certeza se estava bêbado ou se morava realmente na rua. Por ser um país de primeiro mundo há muitos imigrantes, principalmente indianos, e não tive certeza de como os ingleses lidam com isso. Por eu ser brasileira não pude ter esta visão correta, mas percebi que existe discriminação entre alguns grupos.

Sobre o Iam? Bem, valeu a pena fazer esta viagem para revê-lo, matar a saudade e colocar a conversa em dia. É claro que já estou com saudades de novo não apenas dele, mas também de sua simpática mãe, de seu irmão e das tantas pessoas que tive a alegria de conhecer e pelo menos por um tempinho fazer parte da vida deles, da comunidade deles. Sim, porque ali tudo me pareceu muito familiar. Eu sou Cintia Amazonas e amei estar em Londres e na maravilhosa Market Harborough, mas em breve estarei com vocês novamente falando de Nova Iorque, para onde estarei indo em breve para ver cada detalhe do réveillon, tomar mais um banho de cultura e afinal como toda boa brasileira fazer umas comprinhas, e contar todas as dicas para vocês. Por hora desejo a todos um feliz natal e um ano novo repleto de saúde, paz e muitas vitórias. Iam para você fica o meu especial abraço, o meu carinho, respeito e o melhor dos meus sentimentos.
Fotos
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National Art Gallery,demais né....
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Big Ben, quem diria que exatamente em Londres eu acertaria meus ponteiros...
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London Eye e Rio Tamisa.Preciso dizer algo???
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Tower Bridge...simplesmente


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